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Paraguai de moto: nossa viagem de 3 dias pela Rota Biker

Por Estrada a Dois2026-09-19
Paraguai de moto: nossa viagem de 3 dias pela Rota Biker

Paraguai de moto: nossa viagem de 3 dias pela Rota Biker

Jeanderson e Ana Paula com a Yamaha R15 diante do monumento da Rota Biker em Foz do Iguaçu

Do Paraguai a Foz do Iguaçu, cada parada trouxe uma história. Foto: acervo Estrada a Dois.

Nossa primeira viagem de moto ao Paraguai começou com chuva em Guarapuava, capas por cima das jaquetas e uma estrada mais silenciosa do que gostaríamos. O intercomunicador ficou na mochila. Pela frente, tínhamos três dias, uma fronteira internacional e a vontade de conhecer o monumento da Rota Biker em Katueté.

O plano ligava Guaíra, Salto del Guairá, o interior paraguaio e Foz do Iguaçu. Mas o que ficou na memória foi além dos carimbos: conversas em paradas, um café improvisado, o cansaço dividido e a alegria de encontrar acolhimento longe de casa.

Somos Jeanderson e Ana Paula, do Estrada a Dois. Este é o nosso relato de Paraguai de moto em casal, com os detalhes que ajudaram a viagem a acontecer e os aprendizados que trouxemos na volta.

Ficha técnica da viagem

  • Moto utilizada: Yamaha R15, de 155 cm³, com mala de tanque de 15 litros e dois pequenos alforges laterais.
  • Período: de 5 de setembro de 2026 a 7 de setembro de 2026.
  • Duração: 3 dias e 2 noites, com pernoites em Guaíra e Foz do Iguaçu.
  • Trajeto percorrido: Guarapuava → Laranjeiras do Sul → Cascavel → Guaíra → Salto del Guairá → Katueté → Ciudad del Este → Foz do Iguaçu → Guarapuava.
  • Principais vias: BR-277 e BR-163 no lado brasileiro; Ruta PY03, Ruta PY07 no trecho paraguaio, além dos acessos urbanos e de fronteira.
  • Distância aproximada: Totalizando cerca de 1.100km rodados nos 3 dias entre estrada e trechos urbanos.
  • Gastos do casal: R$ 2.263,86 no total. O detalhamento completo está na tabela adiante.

🎬 Assista ao vídeo completo da nossa viagem

Se você prefere viver a emoção dessa aventura em vídeo, assista ao nosso episódio completo no YouTube documentando cada detalhe da rota, da chuva, da fronteira e da chegada aos monumentos:

👉 Assista também direto no nosso canal: Fomos de Moto ao Paraguai | Nossa primeira viagem internacional de Yamaha R15 (YouTube)

O planejamento: bagagem pequena e espaço para a chuva

Nossa organização partiu de uma mala de tanque de 15 litros, acompanhada de dois pequenos alforges. Os sacos a vácuo reduziram o volume das roupas e ajudaram a aproveitar o espaço disponível. Levamos também um saco de reserva, que acabaria sendo especialmente útil.

Saímos usando as capas de chuva. Em Cascavel, quando pensamos em tirá-las, apareceu uma questão muito prática: onde guardar tudo? A mala já estava ocupada, e ainda fazia frio. Seguimos com as capas naquele trecho, mas a situação mostrou que a bagagem precisa funcionar também depois da saída.

Na manhã seguinte, colocamos as duas calças e as duas jaquetas de chuva no saco de reserva. O volume diminuiu o suficiente para caber na mala de tanque junto das roupas. Foi uma solução simples que fez toda a diferença para nós.

Yamaha R15 estacionada em Guaíra com mala de tanque e bagagem para a viagem do casal

Bagagem compacta. Foto: acervo Estrada a Dois.

Para quem pretende repetir o roteiro em casal, recomendamos testar a arrumação completa com antecedência. Vale conferir nosso guia de bagagem para viagem de moto: 7 passos para o casal para prever o espaço das capas quando estiverem fora do corpo, limites de carga dos suportes e liberdade de movimento do guidão.

Na preparação da moto, a referência deve ser sempre o manual do proprietário: calibragem de pneus a frio, ajuste de suspensão para carga com garupa, transmissão, iluminação e manutenção preventiva em dia.

Dia 1: de Guarapuava a Guaíra, entre chuva e encontros

A primeira pausa em Laranjeiras do Sul

Normalmente preferimos sair com tempo bom. Dessa vez, começamos sob chuva, com as capas sobre os equipamentos de proteção. O intercomunicador já apresentava mau contato desde uma viagem anterior a Morretes e acabou ficando na bagagem. Sentimos falta das conversas que costumam acompanhar o caminho.

💡 Dica de estrada: Em viagens sem comunicação eletrônica no capacete, combinar sinais corporais prévios faz toda a diferença. Veja nossas dicas sobre viajar de moto com garupa: 7 cuidados essenciais.

Depois de aproximadamente 127 km, paramos no restaurante Palmeiras, em Laranjeiras do Sul, um ponto tradicional que já conhecíamos de outras rotas. Ali encontramos motociclistas que seguiam na direção oposta, rumo ao Rastro da Serpente, em São Paulo.

Vieram os cumprimentos calorosos, as perguntas sobre o destino e a boa e velha troca de ideias entre motociclistas. Foi o primeiro encontro que deu àquela saída chuvosa a verdadeira cara de uma viagem: cada grupo com seu caminho, mas com assunto de sobra quando os motores desligavam.

Cascavel e a estrada que ainda não conhecíamos

De Laranjeiras a Cascavel, encontramos pista molhada, garoa e bastante névoa. Seguimos em um ritmo compatível com aquelas condições, prezando pela segurança. Chegamos à segunda parada perto do meio-dia, com cerca de 257 km acumulados desde a saída.

Foi hora de abastecer, almoçar e descansar. Para planejar bem as paradas de tanque em trechos longos, confira também nosso guia sobre combustível em viagem de moto: 7 passos para planejar abastecimentos.

Depois de Cascavel, tudo era novidade para nós dois. Houve trechos duplicados e outros com pavimento menos regular. A passagem foi tranquila, mas a percepção de distância não foi igual para os dois: para a Ana Paula, a última perna até Guaíra pareceu especialmente longa e cansativa no banco da garupa.

Chegamos com calor, ainda usando parte das roupas de chuva. Na entrada da cidade, o tráfego pesado de caminhões e os buracos no asfalto exigiram atenção redobrada. A hospedagem reservada pelo Airbnb foi uma excelente surpresa: fomos muito bem recebidos, guardamos a bagagem e descansamos antes de dar uma volta pela cidade.

Encontramos Guaíra mais quieta naquele feriado. Para nós, a cidade cumpriu com perfeição o papel de primeira base: encerrar o primeiro dia de estrada e preparar a travessia de fronteira da manhã seguinte.

Dia 2: Salto del Guairá, Katueté e o reencontro com o Brasil

Café improvisado e entrada no Paraguai

O domingo começou com café improvisado na hospedagem e reorganização rápida das malas. Ao sair para a rua, percebemos como a temperatura tinha virado: o calor do fim de tarde dera lugar a uma manhã fresca e gelada.

Abastecemos a moto, sacamos dinheiro em espécie e seguimos pela imponente Ponte Ayrton Senna, cruzando o Rio Paraná de Guaíra para o Mato Grosso do Sul. Em seguida, cruzamos a linha de fronteira e entramos no Paraguai por Salto del Guairá. O caminho estava movimentado, com muitos turistas e caminhões de carga.

Nossa primeira providência em Salto del Guairá foi registrar a entrada oficial na imigração paraguaia. Foram solicitados passaporte ou RG; nós dois entramos com o RG original recente. Como nosso objetivo era seguir viagem pelo interior do país, resolvemos essa etapa formal antes de fazer o câmbio de moedas e retomar o asfalto.

📋 Para planejar sua travessia: A orientação oficial da Dirección Nacional de Migraciones do Paraguai é sempre registrar entrada e saída, viajar com documento aceito (RG ou passaporte dentro da validade) e conservar o comprovante de ingresso impresso até a saída. A documentação da moto e o seguro internacional obrigatório (Carta Verde) exigem conferência prévia. Consulte os requisitos oficiais de entrada e saída na Migraciones.

Katueté e o monumento 30 da Rota Biker

No caminho até Katueté pela Ruta PY03, chamaram nossa atenção as bandeiras paraguaias em azul, branco e vermelho decorando diferentes pontos das cidades. Vimos famílias reunidas na calçada em frente de casa, crianças acompanhando o movimento da rodovia e churrascos de domingo ao ar livre. Conhecer a rotina do interior paraguaio foi uma das experiências mais ricas de toda a viagem.

Depois de longas retas sob vento constante, alcançamos o nosso objetivo principal: o monumento 30 da Rota Biker, localizado no Drei Schritte Restô Bar, em Katueté (confira a relação oficial de monumentos da Rota Biker).

Nossa primeira reação foi entrar, pedir um lanche quente e nos aquecer. O espaço nos acolheu de imediato. Conhecemos o guardião do monumento, conversamos demoradamente e vimos outros grupos de motociclistas chegando.

Café e lanche sobre a mesa durante uma parada da viagem de moto pelo Paraguai

Foto: acervo Estrada a Dois.

O monumento era o motivo inicial de estarmos ali, mas a pausa ganhou vida própria. Tiramos muitas fotos, carimbamos nosso passaporte de motociclista e curtimos cada minuto. Era a nossa primeira viagem internacional de moto acontecendo de verdade, uma meta que antes existia apenas no papel.

As retas da Ruta PY07 e os 80 mil guaranis

Na hora de pegar a estrada novamente, a garoa fina voltou e o termômetro caiu mais alguns graus. Seguimos em direção a Ciudad del Este pela Ruta PY07, cortando retas infinitas com vento forte de frente. Aquela paisagem rural aberta trouxe uma sensação de imensidão muito marcante.

Em uma parada para abastecimento no interior paraguaio, fomos atendidos por um frentista muito simpático que já havia morado e trabalhado no Brasil. A conversa em português fluiu fácil, ele ficou admirado com a proposta de estarmos viajando a dois em uma Yamaha R15 e a parada rendeu mais uma conexão humana inesquecível.

Jeanderson e Ana Paula de capacete durante uma pausa, com a estrada e a paisagem rural ao fundo

Uma pausa no caminho, entre retas e paisagens abertas. Foto: acervo Estrada a Dois.

Foi ali também que nasceu uma brincadeira interna que repetimos dezenas de vezes durante os dias seguintes: “80 mil guaranis”. A coincidência de valores virou o nosso bordão oficial da viagem e garantia de risadas toda vez que parávamos.

Ciudad del Este, Foz do Iguaçu e uma lição de acolhimento

Chegando a Ciudad del Este, fomos direto à aduana registrar a saída do Paraguai. Encontramos uma fila pequena e atendimento ágil na cabine de imigração. Cruzamos a Ponte da Amizade de volta ao Brasil rumo a Foz do Iguaçu, cidade que já conhecíamos muito bem de viagens anteriores (veja nosso roteiro completo de R15 até as Cataratas do Iguaçu).

Fizemos check-in no hotel ibis e tivemos uma surpresa emocionante no quarto: uma mensagem carinhosa de boas-vindas da equipe e mimos preparados especialmente para nós. Foi um detalhe reconfortante após um longo dia de vento e chuva.

Depois de um banho quente e com as baterias recarregadas, fomos visitar o segundo monumento do roteiro: o monumento 32 da Rota Biker, localizado no animado Hell's Dogs Motorcycle Bar, em Foz.

Passaporte da Rota Biker com o registro do monumento 32 diante do monumento em Foz do Iguaçu

Mais um carimbo registrado e memórias que ficam guardadas para sempre. Foto: acervo Estrada a Dois.

Enquanto esperávamos a nossa vez para fotografar com a moto, conhecemos outro casal que estava realizando sua primeiríssima viagem de moto e ainda aprendia timidamente como funcionavam as visitas aos monumentos. Trocamos experiências, demos dicas com calma e celebramos a conquista deles.

Essa conversa nos reforçou um valor que levamos para a vida: ninguém começa sabendo tudo sobre viajar de moto. Um cumprimento respeitoso, um sorriso e paciência transformam a experiência de quem está ingressando no mototurismo. No Estrada a Dois, acreditamos que acolher é a essência do verdadeiro motociclismo de estrada.

Dia 3: a volta para Guarapuava

Na segunda-feira pela manhã, a R15 estava pronta e carregada mais uma vez. Ao sair de Foz do Iguaçu, sabíamos que tínhamos cerca de 400 km de asfalto pela BR-277 até voltar para casa em Guarapuava. Era o momento de encarar o trecho final, com o corpo sentindo o acúmulo dos dias de pilotagem, mas com o coração transbordando de histórias.

Yamaha R15 estacionada à sombra de uma árvore durante uma pausa no retorno da viagem

A R15 em uma pausa revigorante na volta para casa. Foto: acervo Estrada a Dois.

Ao cruzar a entrada de Guarapuava, fomos recebidos pelo frio característico da nossa terra. A viagem exigira foco, resistência e companheirismo, mas a sensação de dever cumprido foi indescritível. Tínhamos desbravado outro país em uma moto de 155 cilindradas, conhecido estradas desafiadoras e vivido momentos inesquecíveis a dois.

Pilotando a dois: o que aprendemos nessa rota

A experiência da garupa precisa entrar no planejamento com a mesma importância do roteiro. O cansaço sentido pela Ana Paula entre Cascavel e Guaíra mostrou que um trecho que parece simples no mapa pode ser muito desgastante fisicamente para quem vai atrás.

Nossas principais lições para as próximas viagens:

  1. Planejar pausas e antecipá-las sem hesitar: Os intervalos planejados ficaram próximos de 100 km, mas o cansaço e o frio sempre devem ditar o momento exato de parar.
  2. Testar os equipamentos de comunicação com antecedência: Sem o intercomunicador funcional, os sinais corporais precisam ser alinhados antes de subir na moto.
  3. Reservar espaço dedicado para as roupas de chuva: A mala precisa comportar as capas tanto quando estão no corpo quanto quando precisam ser guardadas molhadas. Veja também nossas dicas sobre jaqueta ventilada ou impermeável para viagens.
  4. Deixar folga no cronograma: Trâmites aduaneiros, imigração, chuva e conversas enriquecedoras nas paradas não são atrasos; são parte integrante da viagem.
  5. Organizar a documentação com cópias: Levamos RG original recente, CNH, CRLV da moto, seguro Carta Verde internacional e comprovantes de vacinação. Carregar os originais protegidos da umidade e três cópias físicas de cada documento agiliza qualquer fiscalização na fronteira.

Onde comer e onde ficar neste roteiro

  • Laranjeiras do Sul (PR): Restaurante Palmeiras na BR-277, ponto tradicional de parada com amplo estacionamento e ponto de encontro clássico de motociclistas.
  • Katueté (Paraguai): Drei Schritte Restô Bar, sede do monumento 30 da Rota Biker. Ambiente acolhedor, comida excelente e receptividade ímpar para viajantes em duas rodas.
  • Guaíra (PR): Hospedagem aconchegante reservada via Airbnb, ideal para descansar antes de atravessar a fronteira mato-grossense e paraguaia. (Veja exatamente onde ficamos, clique aqui)
  • Foz do Iguaçu (PR): Hotel ibis Foz do Iguaçu, com ótima localização central e facilidade de acesso aos monumentos e atrativos turísticos da tríplice fronteira.

Quanto gastamos nos três dias de viagem

Nosso gasto total foi de R$ 2.263,86 para o casal, incluindo as compras pessoais realizadas em Salto del Guairá e Ciudad del Este.

| Categoria de Despesa | Valor Total (Casal) | | --- | --- | | Compras no Paraguai | R$ 766,15 | | Alimentação e mercado | R$ 675,80 | | Hospedagens (Guaíra e Foz) | R$ 517,45 | | Combustível (Yamaha R15) | R$ 240,76 | | Transporte e estacionamento | R$ 63,70 | | Gasto Total da Viagem | R$ 2.263,86 |

💰 Dica de orçamento: Excluindo as compras pessoais, o custo estrito de viagem para duas pessoas (hospedagem, gasolina e alimentação completa) somou apenas R$ 1.497,71 para os 3 dias! A Yamaha R15 provou ser uma companheira de estrada absurdamente econômica.

Conclusão: vale a pena viajar de moto para o Paraguai?

Para nós, valeu cada quilômetro rodado! O roteiro expandiu completamente nossa visão de mototurismo internacional: entramos por Salto del Guairá, cruzamos as paisagens autênticas do interior paraguaio até Katueté e regressamos pela movimentada Ciudad del Este.

A Rota Biker nos forneceu a meta no mapa, mas foram a parceria a dois, os desafios superados sob chuva e as pessoas acolhedoras que encontramos que deram verdadeira alma a essa jornada.

Quem sonha em fazer uma viagem internacional de moto não precisa esperar ter uma moto de grande cilindrada para começar. Com planejamento, respeito aos limites do casal e vontade de desbravar o mundo, qualquer cilindrada te leva tão longe quanto você desejar ir.

💡 Leia também nossos outros roteiros autorais:


Fontes e links de referência:

  • Rota Biker — Relação oficial de monumentos homologados no Brasil e exterior.
  • Dirección Nacional de Migraciones (Paraguai) — Requisitos migratórios de ingresso e saída.
  • Yamaha Motor do Brasil — Ficha técnica e especificações da Yamaha YZF-R15.
  • Gov.br — Orientações sobre o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP).

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